segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Postal para Clarice

Não tenho o que suspeitar, querida,
se duvidei de tudo – como todos, aliás:
das febres, dos rastros, da poesia rasa.
Meu coração foi o fruto podre das dores de existir.
Existi, só?
Ou fui pleno em meus impulsos exageradamente inteiros e incolores?
Sem cor não há alegria ou cor é só disfarce?
Eu comi dos alimentos mais primordiais e bebi das águas que tinham gosto, sim.
E Clarice, se você soubesse da estranheza de amar como eu amei, dos sentidos invertidos.
Mesmo suspeito, eu amei.
E agora, sem suspeita, que certeza?
Aí onde está, qual a certeza? Qual é a busca?
Eu estou buscando Clarice, pois esperar não serve mais.
ilustração: whats eating Clarice?

3 comentários:

Flávia disse...

Esperar é sempre uma dor a mais.

Um beijo, rapaz.

Beto Canales disse...

Muito interessante.

felipe_favilla disse...

não recomendo outra dessas cara. a que eu tive me causa augústia até hoje!

mas então, vamos tomar uma cerveja qualquer dia?